Thursday, July 07, 2005

You'd better sleep in


São alarmes silenciosos. São gritos alarmantes, são pesadelos a flutuar em turbulências mentais, transfusões de inadaptações de pessoa em pessoa.
Não sei como será o futuro. Agora. Mas sei que agora sou feliz. Um dia de cada vez sou mais feliz que no interior e torno-me mais consciente da imprevisibilidade das mutações da felicidade. As folhas do calendário a suspirar pelo dia em que um pedaço de vento as virará e não eu, todos suspiram mas eu não sei porquê. Era interessante uma experiência calma com a Morte. Ela faz parte do que respiramos, das ideias que sentimos, das dores que precisam de pensos rápidos ou apenas e só, de um suícidio. É um vazio de certezas onde todos vão entrar, um preenchido de palpites porque os que vão já não voltam. Consigo certamente imaginar a Morte: braços feitos cordas, pés feitos turbinas, cérebro feito precipício, cara de um velho conhecido.
Se não alarmasse tanto como comparar homens a robots, morrer seria um tesouro escondido nas profundezas de um oceano onde nadam lágrimas. Mais que tudo, lágrimas. A dor não existe, as arrelias são estantes de toques no vazio e de medalhas de utopias, e escrever este texto é caso para prisão noutra dimensão até à explosão do Universo.
Tal como a vida: todos sabem o que ela devia ser, mas o passado devora com a sincronia de um relógio.

Por isso, a felicidade também existe, mas apenas depende daquilo que nos faz realmente felizes, não de colares preciosos ou roupas de marcas vendidas a preço de leilão num Mundo onde até o dinheiro nunca terá existido. O que é o dinheiro? Não sei se qualquer coisa destas faz-vos felizes: nesse caso, mudem o texto para o começo de uma escalada pedonal pelos degraus daquela coisa que parece mas não é, daquilo que encobre durante toda a vida as tentativas de suicídio que mais depressa se cometem noutras alturas quando a loucura do bem-estar dá lugar a uma espécie de atropelamento numa floresta de emoções dispersas e nunca condensadas.
A felicidade é, simplesmente, uma mistura da Faculdade de Teologia com ideias ateias, uma coisa simples de pensar, mas difícil de realizar, que demora tempo a passar ao papel mas pode desaparecer como pó.

A minha felicidade apenas depende de mim. Mentira com direito a cruz por cima. Enfim, depende talvez de frágeis ondas que poucos sabem manipular com doçura e precisão e transformá-las em situações escondidas debaixo de um cobertor do Sol, trancadas dentro de instrumentos opacos e harpejos melódicos bebíveis.

Interrogação com direito a ponto de interrogação bem forte. Talvez dependa de qualquer coisa como os sentimentos.

Verdade relativa: um "certo cortado".

1 Comments:

Anonymous Anonymous clamou desta maneira...

Owax papá :P..
Bem eu ponho as palavras da "menina de porcelana" minhas. Ponto pa mim tambem vais ser provavelmente a pessoa mais genial que vou algum dia conhecer, es o meu papá :P.. o texto ta magnifico eu nao sei que dizer dele, porque eu como ja te disse es a unica pessoa que me deixa sem palavras e que me põe a pensar nalgumas coisas... So queria dizer que gostei da maneira como te referiste a morte, e a felicidade...Vou ficar por aqui
(desculpa o comentario parvo =x)

Beijos ***

6:25 PM  

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