Friday, September 23, 2005

"My Little Bedroom" saúda dois regressos!






















Na realidade não é assim. Os Goldfrapp não são os Coldplay e vice-versa nem sequer ambicionam sê-lo.
Mas Chris Martin está sem dúvida na synth-pop e electropop desde que decidiu escrever "Talk" a partir da melodia de "Computer Love" dos Kraftwerk (com a devida autorização) e tirar da sua imaginação "Speed of Sound" e parece ser bem teimoso.
Por isso, informa-se os interessados que terão direito a Goldfrapp+Coldplay daqui a um mês no Pavilhão Atlântico. Tal como os Keane fizeram com Rufus Wainwright, será um concerto para gregos e troianos, embora os Coldplay não sejam os Keane de muitos e vice-versa (embora os Keane sejam uma aproximação ao universo Coldplay... e em que eu não vejo muito mais que bons singles e outros temas menos conseguidos).
São dois regressos discográficos e dois regressos ao nosso país neste ano de 2005.
Recorde-se que os Goldfrapp vieram há 2 anos a Lisboa e Porto apresentar "Black Cherry", o antecessor do mais recente "Supernature" que data deste ano e também o sucessor de "Felt Mountain", de 2000. Por seu turno, os Coldplay já passaram por cá por exemplo em Paredes de Coura no ano de 2000 num concerto menos conseguido, por alturas frescas de "Parachutes" e em 2003, para apresentar "A Rush of Blood To The Head"., em que trouxeram os Feeder para a primeira parte (uma banda também bem aconselhável).
Agora, e como já se disse, os Goldfrapp trazem "Supernature" na bagagem e os Coldplay "X&Y". Para os primeiros, um novo registo menos dark, mais dançável, talvez demasiado no sítio em relação a "Black Cherry" mas mesmo assim irresistível, e para os últimos, uma viragem pronunciada na linhagem de mercado que se previa seguir após o interregno de 2 anos entre "A Rush of..." e "X&Y" (em que Chris Martin recebeu uma linda "maçã" como presente). Desta vez, os Coldplay foram aos "malditos" anos 80 e a gente como Brian Eno, Depeche Mode, Joy Division ou mesmo os próprios Kraftwerk para se renovarem, renascerem e refugiar-se do mainstream que unicamente os acolhia de braços abertos (embora a imprensa americana continue a ser bem dura como estes tipos).

Os Coldplay formaram-se em 1996 em Londres e são compostos por Chris Martin, Johnny Buckland, Guy Berryman e Will Champion. Após a edição de três EP's ("Safety" em 1998 e "Brothers & Sisters e "The Blue Room" em 1999), os Coldplay assinaram por uma multinacional, a EMI, e editaram "Parachutes", para em 2003 editarem pela Parlophone "A Rush of Blood To The Head".
Já os Goldfrapp nasceram em outros moldes. Alison Goldfrapp teve em 1995 uma participação em "Maxinquaye " de Tricky e, pelo meio, uma participação em "Snivilisation" de Orbital. Foi o balanço para Alison deixar de estudar arte em Middlesex University e passar a mostrar as suas composições ao Mundo musical. Foi Will Gregory que pegou em algumas das suas composições e que a contactou. A química entre eles foi tão forte que decidiram juntar teclados e vocalizações numa dupla de sucesso com o nome correspondente ao apelido de Alison. Em 1999 surgiu o contrato discográfico pela Mute Records e em 2000 o debute "Felt Mountain", que os lançou numa grande tour que mostrou um álbum sem paralelo no universo retro-electro-pop que nem os próprios Goldfrapp se propuseram a repetir (e ainda bem). Em 2003 surge o tão esperado longa-duração/confirmação "Black Cherry", que mergulhou a banda num universo de magia, claustrofobias a desenhar o escuro e de jogos de sensualidade bem íntimos com quem teve o prazer de os ouvir e ver.
Ainda hoje ouço "Train" ou "Strict Machine" ou mesmo o tema-título e só encontro nos Black Box Recorder de Luke Haines algo analógico, em "Passionoia" do mesmo ano. São os dois projectos o cruzamento ideal entre os Massive Attack, os Portishead e os Aphex Twin, New Order ou Joy Division ou mesmo O.M.D, mas mais atmosféricos.

Prevejo uma grande noite de música em Lisboa em Outubro, pois os Coldplay até podem trazer uma versão acústica de Johnny Cash (o famoso e muito revisitado "Ring of Fire") e estão muito bem por esse mundo fora e os Goldfrapp terão sensualidade para vender e bons teclados para se colarem ao ouvido sem hipótese de serem descartados logo a seguir - no fundo, a premonição ambiental-electrónica que os novos Coldplay pedem naturalmente e que será dada por uma das melhores duplas da actualidade do panorama indie-pop-electro.

P.S: Começam os suspiros pelos Magic Numbers em Novembro e Mercury Rev (ai meu deus que concertos...e ai meu deus o que seria Portugal sem Espanha...e ai meu deus! Porque não trazem também os Bloc Party e os Interpol para eu me perder...e ai meu deus que os Killers e os Pearl Jam e White Stripes ou Strokes também poderiam vir!)...

Saturday, September 17, 2005

Não é a nossa voz que nos marca.../Dois marcos de Portugal

Definitivamente, somos demasiado imperfeitos para sermos marcados pela nossa voz.
Somos como caixas vazias que se partem ao verem que ainda não conhecem o Mundo como pensavam e que poderão nem saber o que nele fazem.
Isso é bonito. Mas o desejo do amanhã rasga tudo, até esta modéstia improvisada.
Conhecer o Mundo será viajar sempre sem ficar na terra que, de forma leve, conhecemos e que mais facilmente podemos conhecer.
É por isso que Margarida Pinto e Álvaro de Campos só servem para alguns.
O que têm a ver? "Apontamento", o tema-título da estreia a solo da vocalista dos Coldfinger mas sempre com Miguel Cardona na sombra luminosa, fazendo uma dupla que nos distrai de si própria como poucas e que, durante excelentes temas, leva-nos para outros lugares. Isto é música.... Moderna, acrescente-se.

Álvaro de Campos só serve para estudar na escola. Desperta os mesmos sentimentos que seriam provocados pela audição mínima de "Apontamento": o sentimento que aquele mundo imaginário é demasiado necessário de se apagar e que o Mundo real é uma azáfama que pega no volante e leva a um bom final. Ouviu-se (no outro caso, será "leu-se"), "estudou-se" e tudo bem. Não é para exame ou teste, por isso estudar aquela letra e aquele tema é efémero. Talvez um dia seja uma boa história para ler a um filho intelectual.

Observem as semelhanças:

Álvaro de Campos
(Apontamento, 1929)

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.

Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?

Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos,não conscientes deles.

Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.




"Apontamento"
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada, caiu
E eu fiz-me em mais pedaços que a loiça que havia no vaso
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia
E os deuses que há debruçam-se da escada.
Para verem o que a criada fez de mim
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
(...)
Alastra a escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
E os deuses olham-na por não saber por que ficou ali.
Bem, agora é hora de música internacional.
Detroit Cobras:"Hot Dog".
Depois Every Move a Picture: "Signs of Life".
São coisinhas perfeitas...
Take care...

Thursday, September 15, 2005

Toda a vida...


Se dúvidas havia que os Franz Ferdinand poderiam não ser a única banda perfeita desta "neo-new-wave", já não há dúvidas. Tudo é perfeito em mais bandas por aí: The Arcade Fire(noutra onda bem diferente), The Rakes, Kaiser Chiefs, The Bravery....
E nos Bloc Party? Também. A cada composição nova que nos chega aos ouvidos, a visita de Kele Okereke incomoda-nos. Apenas porque pensamos que andamos todos os dias a sonhar.
Batemos com a cabeça nas portas, mas apenas descobrimos que os Bloc Party não são apenas puros músicos e escondem a sua verdadeira identidade há muito tempo. São génios. Daqueles com inteligência a mais e, porque não, daqueles das lamparinas mágicas. "Silent Alarm" (o remixed também é dos melhores que já ouvi) na sua versão original é o tapete onde os Bloc Party flutuam nas melodias, tecem encantamentos à linha de guitarras e baixos como se fossem soros da verdade que pusessem todas as inquietações e sonhos que esses instrumentos desconheciam ao serviço de puras e singelas canções. É assim que os Bloc Party são génios da lamparina. E também são bem inteligentes porque sabem que a lamparina não dura para sempre, e para mim, já se partiu há muito tempo.
O que esperar dos Bloc Party? Que eles também saibam concretizar desejos em novos brilhantes discos.

Em dia de regresso às aulas, não são mais dois anos, é apenas mais um.
Até eu ir para a Universidade apreciar como é a vida de ainda mais pessoas sem os Bloc Party.
E a dor não dura para sempre, não é?

In two more years, my sweetheart, we will see another view
Just longing for the past for such completion
What was once golden has now turned a shade of grey
I've become crueler in your presence

They say: 'be brave, there's a right way and a wrong way'
This pain won't last forever, this pain won't last forever

Two more years, there's only two more years
Two more years, there's only two more years
Two more years to hold on

You've cried enough this lifetime, my beloved polar bear
Tears to fill a sea to drown a beacon
To start a new all over, remove those scars from your arms
To start a new all over more enlightened
I know, my love, this is not the only story you can tell
This pain won't last forever, this pain won't last forever

Two more years, there's only two more years
Two more years, there's only two more years
Two more years to hold on
You don't need to form answers for questions never asked of you
You don't need to form answers


Two More Years (não incluído em "Silent Alarm")

Wednesday, September 14, 2005

Só para 2006! Choremos...

Como este rapaz já suspeitava, apesar de se saber que temas como "Juicebox", aquele que se julga que será o primeiro avanço, e "Razor Blade" já estão gravados (este tema que este escriba já ouviu ao vivo), os Strokes só darão as tão ansiadas notícias no mês do Pai Natal.
Sob a forma do primeiro single do seu terceiro disco de originais, que só sairá em Janeiro.
Julian Casablanca quis adiantar à revista Mojo que este será o álbum mais versátil da banda, e que pretenderam "um som maior, mas sem que destrua aquilo que já somos".
Tal como os White Stripes, os Strokes vão certamente visitar terras de Vera Cruz primeiro que este Portugal, numa paragem de trabalho de estúdio que se agenda para Outubro.
Quando passarão por cá finalmente? Ainda não se sabe, e cá entre nós que ninguém nos ouve, os Strokes vão, como tantas outras bandas, passar por cá já sem o fulgor do seu início e prolongamento de carreira discográfica, ou seja, não passarão por cá na altura certa para darem-se a ouvir como todos queremos. Mas mesmo nessa altura, apostamos que os Strokes darão um grande concerto.
Continuaremos à espera...do espectáculo e do disco! Valha-nos poder ouvir os discos destes "génios rock".

UPDATE 23/9/2005: O single de apresentação, "Juicebox" (como já se anunciava), já circula pela Internet e garante-vos este escriba que é um muito bom single. Acomoda muito bem acomodadadas as desilusões causadas por "Room on Fire" a muitos melómanos (este melómano não se inclui) num caixote de papelão e nem sequer se dá ao trabalho de as pôr no sotão. Os mais cépticos dirão: "os Strokes esmeraram-se, hum?". Eu digo "os Strokes evoluíram, hum?". Ascetismo rock 'n' roll em boa forma física, com boa produção. No fundo, podemos dizer que temos, definitivamente, single.
E só se espera que demore mais uns 4 meses a dizer "2006 abriu em grande". É o que eu previa e dizia. Dá para ver não?

Sunday, September 11, 2005

Chamemos-lhe resquícios interessantes...

Another conversation:
- Olha lá, mas tu achas mesmo que eu sou um bom DJ?
- Bom escritor é que eu não sou! E se não fosses um DJ porreiro, não te dizia que voltava em breve!
- Queres outra playlist?

WARM UP:

RADIOHEAD: karma police
BLUR: tender
JEFF BUCKLEY: forget her
NINE INCH NAILS: hurt (garbage live at madrid)
JOSH ROUSE: carolina
HARD-FI: living for the weekend
THE WHITE STRIPES: ball and biscuit
TIM FITE: no good here
DOVES: snowden
THE KILLERS: midnight show

PARTY ZONE:

TV ON THE RADIO: dreams
BATTLE: tendency
BLOC PARTY: like eating glass (ladytron zapatista remix)
NINE INCH NAILS: everyday is exactly the same
GOLDFRAPP: train
LCD SOUNDSYSTEM: tribulations
RYAN ADAMS: anybody wanna take me home
THE VEILS: guiding light
THIRTEEN SENSES: thru the glass
THE LIBERTINES: can't stand me now
THE PANICS: twin sisters
FRAUSDOTS: fashion death trends
THE CORAL: pass it on
HOT HOT HEAT: jingle jangle
THE DANDY WARHOLS: the dope
ENGINEERS: said and done
KAISER CHIEFS: I predict a riot
THE WHITE STRIPES: blue orchid
ATHLETE: half light
BABYSHAMBLES: fuck forever
X-WIFE: eno
BLACK BOX RECORDER: british racing green
THE DEPARTURE: be my enemy
YEAH YEAH YEAHS: y control
FEIST: secret heart
TEENAGE FANCLUB: it's all in my mind
THE DARKNESS: I believe in a thing called love
MAXÏMO PARK: grafitti
ART OF FIGHTING: skeletons
SUPERGRASS: st. petersburg
MAGNUS: french movies
ROGUE WAVE: endless shovel
JOSH ROUSE: love vibration
MANDO DIAO: sheepdog
THE KINISON: you'll never guess who died
KINGS OF CONVENIENCE: misread
THE RAKES: terror!
SHE WANTS REVENGE: sister
BJÖRK: oceania
METRIC: combat me
RÖYKSOPP: 49%
NICK CAVE & THE BAD SEEDS: there she goes, my beautiful ward
THE STILLS: lola stars and stripes
ELEFANT: make up
KINGS OF LEON: california waiting
DATAROCK: computer camp love
WILCO: spiders kidsmoke
THE BOXER REBELLION: watermelon
CLOR: love and pain
THE APPLESEED CAST: fight song
KING GOD: morning sky
COLDPLAY: talk
THE CURE: before three
THE CRIBS: hey scenesters
AUF DER MAUR: followed the waves
QUEENS OF THE STONE AGE: little sister

FINAL HYPE:
MESA: arrefece

Friday, September 09, 2005

Eh pá e tal sim senhor!!

Uma conversa ouvida por entre os laivos de água que assombravam o dia:
- Olha ó DJ, eu não ando nada inspirado para escrever...Por acaso não me arranjas uma playlist à maneira para eu ir para casa ouvir?
- Bem..olha para esta e vê se gostas!

AQUECIMENTO:

AZURE RAY - new resolution jimmy tamborello mix
NEW ORDER - krafty
VHS OR BETA - alive
THE KILLERS - mr. brightside remix
I AM X - kiss and swallow
HOPE OF THE STATES - nehemiah

TRANSFUSÃO:

MYLO - drop the pressure
HUMANOS - quero é viver
CLÃ - carrocel dos esquisitos
RADIOHEAD - there there

DANCING TIME:

BLOC PARTY: tulips
INTERPOL: not even jail daniel kessler remix
WHITE ROSE MOVEMENT: love is a number
THE EDITORS: münich
THE KILLS: the good ones remixed
WHITEY: don't call me
HOLLYWOOD PORN STARS: money
JAY JAY JOHANSON: so tell the girls that I'm back in town (prologue 2004 version)
MAXÏMO PARK: apply some pressure videoclip version
ART BRUT: bad weekend
ELKLAND: apart
THE RAKES: pub club sleep (work work work)
OUT HUD: it's you
KASHMIR: surfing the warm industry
FRANZ FERDINAND: do you want to
THE KILLERS: andy, you're a (rock) star
THE CAESARS: jerk it out
NEW ORDER: bizarre love triangle
dEUS: if you don't get what you want
RÖYKSOPP: only this moment
BABYSHAMBLES: killamanjaro
MY RED PILL: sandy's bathroom
QUEENS OF THE STONE AGE: no one knows
X-WIFE: fall
DOGS DIE IN HOT CARS: lounger
GOMO: caught
JULIETTE AND THE LICKS: got love to kill remix
THE DIVINE COMEDY: come home billy bird
BECK: que onda guero
THE ARCADE FIRE: wake up
THE STILLS: changes are no good
LED ZEPPELIN: kashmir
TEH GO! TEAM: everyone's a VIP to someone
RADIO 4: dance to the underground
INTERPOL: c'mere

TRANSFUSÃO:
ANI DIFRANCO: sunday morning
P.I.L: this is not a love song crispin j.glover feat. princess julia remix
THE OTHERS: lackey
BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB: ain't no easy way

APOTEOSE FINAL:
LCD SOUNDSYSTEM: yeah

Thursday, September 08, 2005

Jornalista e DJ...mais dois idiotas!!!


Quarta-Feira, 7 de Setembro de 2005, das 23.00 para diante....

Vamos lá descobrir se o "Subterranean" acabou de vez ou não. Não, parece que não. Observa-se Jim Shearer com uma t-shirt cor-de-rosa que parece dizer "Good Time". E é verdade: também se vê o vocalista dos Secret Machines. Por entre uma conversa animada, descobrem-se novidades dos Secret Machines, entre elas um EP a editar, "Road Lead To Where It''s Led". Assim que pára a conversa naquele cenário tão condizente com o que lá fora pensam mais ou menos 80% das pessoas sobre quem entra naquele ambiente interessante, começam a surgir os videoclips que todos queremos. Passando por Devendra Banhart, mergulhando nos Bravery de regresso ao tema do primeiro EP com que se auto-catapultaram por força própria para as conversas de muitos alternativos, deliciando com os M83 de "Don't Save Us From The Flames", passando pelos Maxïmo Park de "Apply Some Pressure" numa versão bem mais ritmada. Ainda há tempo para os Animal Collective (ainda em "Sung Tongs"), para a banda alternativa preferida daquele mundo lá fora (e deste que escreve, também), os Arcade Fire -que se meteram há uns dias num espectáculo onde, sem dúvida, entre mais de 30 ou 40 artistas, seriam o único motivo que me levaria a pensar naquele espectáculo-, no vídeo da moda, "Neighborhood#3 (power out)" e para os Secret Machines naquele hino rock que é "Sad and Lonely". De outros momentos não me recordo, pois o deleite consome as tentativas de ascensão da memória. Asfixia-a. Já de seguida, à meia-noite havia "Brand:new". Começamos bem, com videoclips novos: "Do You Want To?" é a pergunta perfeita para quem se digna a ver este programa bem bom no virar de mais uma página feita dia de um livro feito vida. O vídeo é muito bom, os Franz Ferdinand ainda melhores, o sonho de serem nº1 no Natal a maior barbaridade que já ouvi. Porque se o mundo lá fora fizesse um esforço, os Franz Ferdinand seriam desde 3 de Outubro até ao virar do ano os que mais discos venderiam.
De alguns outros videoclips não me lembro, mas temos as "Tribulations" dos LCD Soundsystem e como os Hard-Fi nas alturas vivem para o fim-de-semana. Temos também as "Rebellion (lies)" dos Arcade Fire, uma boa novidade. Os olhos pedem mais e os ouvidos fazem o protesto pelos olhos. Mas há publicidade: publicidade ao concerto dos EZ Special no Coliseu. Toda a tensão extasiante provocada por uma hora e tanto de música interessante descarrega-se negativamente sob a forma de um vómito. Água, por favor.
Não vem água, vem talvez o pior líquido (que eu não sei qual é) para ajudar a recuperar deste momento infeliz. Roisin Murphy, hip-hop como se não existisse um "MTV YO!" ou um dia inteiro de playlists mainstream. Aconselha-se o zapping. Sempre na esperança de uma recuperação, não mudamos a TV de canal, mudamo-nos nós de atenção e de lugar. Vamos arrumar a mesa. Um novo intervalo chega e com ele mais EZ Special. Agora já não há vontade de vomitar.
Até chegam os Röyksopp com novo single de " The Understanding" e "My Doorbell" traz os médicos White Stripes a diagnosticar-nos desidratação. Por isso, entre mais algumas propostas interessantes, o intervalo chega e preferimos ir ver um jogo de ténis, a fase em que alguém uma enfermeira que não exise vem dizer-nos que já passou e ficamos a soro.
No último regresso, a coisa complica-se: chegam os My Chemical Romance e assustam-nos, mas conseguimos até perceber umas ideias interessantes em "The Ghost of You". Para ficar na retina. Depois um pássaro é abatido e chama os System of A Down para a contenda. O susto toma proporções febris e deliramos com a presença absolutamente improvável destes rapazes no momento dedicado à neo-new-wave e à boa música que se faz lá por fora. É o final que não queríamos, e isso leva-nos a suportar a vontade de vomitar desta vez para cima da televisão, sempre pensando que "tudo bem, a seguir ainda podem vir os Kaiser Chiefs ou os Bloc Party". Mas a Night Zone dá-nos Mariah Carey e aí a vontade de desprezar aquele videoclip tão irritante tenta vestir-se de vomitado. Desprezar o videoclip, Mariah Carey e todas as recordações de "devias ter começado por uma rapariga que soubesse distinguir Celine Dion dos Ramones e que deixasse de querer ser a pessoa de pele negra que nunca será sem se cobrir de petróleo e que deixasse de ter um coração tomado pela escuridão que cega e que faz os sentidos e o sentido dobrarem-se em 8, sem sentido".

Não voltamos à MTV. A não ser para ver o vídeo de "Fuck Forever" dos Babyshambles do ex-The Libertines Pete Doherty. É como um copo de leite bem quente antes do sono e já não sentimos necessidade da agulha do soro. No entanto ela não quer sair e magoa, como querendo relatar-nos a noite apenas 79% boa que tivemos. Lá no vazio, ouve-se de fininho gritar "Fuck Forever, MTV!". A agulha gostava de não ter estado a trabalhar ontem à noite, e eu gostava de ter ouvido música que eu gostasse mais...

Agradecimentos especiais:
O Astronauta, pela piada da Celine Dion com os Ramones.


Já perto de o sono me acordar para a necessidade de um dia seguinte, comecei a pensar....
Se eu fosse DJ, que músicas passaria?

Adormeci a pensar na seguinte playlist:

THE RAPTURE: sister saviour
DEPECHE MODE: enjoy the silence (remix)
JOY DIVISION: she's lost control x-wife remix
GOLDFRAPP: ooh la la
PLAZA: in fiction
THE SMITHS: bigmouth strikes again
FISCHERSPOONER: just let go
THE CHEMICAL BROTHERS: close your eyes
TIEFSCHWARZ: warning siren
JOY ELECTRIC: i'm ok, you're ok
LOTO: so happy together
BLOC PARTY vs DFA 1979: luno
LADYTRON: destroy everything you touch

TRANSFUSÃO:

MY CHEMICAL ROMANCE: the ghost of you
FELIX DA HOUSECAT: rocket ride soulwax remix
THE FEVER: ladyfingers
THE RAKES: retreat yes mix
KT TUNSTALL: black horse & the cherry tree

DANCING TIME:

BLOC PARTY: banquet phones disco edit
THE FUTUREHEADS: decent days and nights video version
DEATH FROM ABOVE 1979: romantic rights
THE BRAVERY: tyrant
LCD SOUNDSYSTEM: tribulations
MY RED CELL: knock me down
KELLI ALI: hot lips
NINE INCH NAILS: only
KAISER CHIEFS: modern way
YEAH YEAH YEAHS: date with the night
FRANZ FERDINAND: shopping for blood
HARD-FI: tied up too tight
THE KILLS: love is a deserter
AIR: surfing on a rocket
EVERY MOVE A PICTURE: signs of life
GHINZU: do you read me
ACID HOUSE KINGS: do what you wanna do
THE ARCADE FIRE: neighborhood #2 (Laika)
BUNNYRANCH: liar alone
WHITE ROSE MOVEMENT: idiot drugs
BOOMCLICK: high tide
WRAYGUNN: don't you know
NEW YOUNG PONY CLUB: icecream
SAY HI TO YOUR MOM: but she beat my high score
MOVING UNITS: available
Q AND NOT U: wonderful people
THE RAVEONETTES: love in a trashcan
THE POSTAL SERVICE: we will become silhouettes
THE THERMALS: how we know
THE CHALETS: nightrocker
CLAP YOU HANDS SAY YEAH: upon this tidal wave of young blood
THE CLOUD ROOM: hey now now
XTC: generals and majors

O FINAL
ANTONY AND THE JOHNSONS: fistful of love

Hoje penso: será sequer que eu chegaria a passar os The Rapture?


Sunday, September 04, 2005

De volta...

Os discos expostos na ideia anterior (vulgo "As respostas seriam!..."):

The Fever – Red Bedroom
The Go! Team – Thunder, Lightning, Strike
Maxïmo Park – A Certain Trigger
Black Rebel Motorcycle Club – Howl
Josh Rouse – Nashville / 1972
Elkland – Golden
Antony and The Johnsons – I Am a Bird Now (ah Paulinho que tens uns gostos de trás da orelha!)
Juliette and The Licks – You’re Speaking My Language
Art Brut – Bang Bang Rock’n’Roll
The Bravery – The Bravery
The Arcade Fire – Funeral
The Kills – No Wow
Loretta Lynn – Van Lear Rose
Death From Above 1979 – You’re A Woman, I’m a Machine
Bloc Party – Silent Alarm
The Frames – Burn The Maps
The Killers – Hot Fuss (…cause I’m Mr. Brightside…)
The Postal Service – Give Up
Magnus – The Body Gave You Everything
The Futureheads – The Futureheads
The Chalets – Feel The Machine
Spoon – Gimme Fiction
Polar Bear – Held on The Tips of Fingers
The Rakes – Capture/Release
(Leslie) Feist – Let It Die
Elefant – Sunlight Makes Me Paranoid
The White Stripes – Elephant / Get Behind Me Satan
Royksöpp – The Understanding
Brendan Benson – The Alternative To Love
Rogue Wave – Out of The Shadow
Goldfrapp – Supernature / Black Cherry / Felt Mountain
Jack Johnson – In Between Dreams (daqueles discos…)
The Faint – Wet From Birth
Kaiser Chiefs – Employment
My Morning Jacket – It Still Moves
Radio 4 – Stealing of A Nation
Mando Diao - Mando Diao
Ryan Adams – Rock’n’Roll
Franz Ferdinand – Franz Ferdinand / You Could Have It So Much Better…With Franz Ferdinand
Kings of Convenience – Riot on an Empty Street
Queens of The Stone Age – Lullabies to Paralyse
The Soviettes – LP III
KT Tunstall – Eye to The Telescope
Feeder – Pushing The Senses
Without Gravity – Without Gravity
The Cribs – The New Fellas
Pearl Jam – Lost Dogs
Yeah Yeah Yeahs – Fever To Tell
Midnight Movies – Persimmon Tree
Moving Units – Dangerous Dreams
Jesse Malin – The Heat
Editors – The Back Room
Frausdots – Couture, Couture, Couture
The Raveonettes – Pretty In Black
The Darkness – Permission To Land
Beck – Guero
Interpol – Antics

Em breve as ideias voltam sobre a forma de textos idiotas...
Acharam boa a pausa?

Friday, September 02, 2005

O jogo dos bons discos...

Descubram aqui bons discos de música e divirtam-se!