Where am I?
Não sei se continuaremos no mesmo caminho, mas “some things will never be different” parece um bom lema.
Helicópteros assombram-me o espírito como fantasmas encapuçados apenas com ar intimidatório, pois a arma para eu matar-me existe.
Debaixo de um embrulho esquisito podem-se esconder verdades absolutas.
Reparem: “Beauty queen or only pretty/She has some trouble with herself/He was always there to help her/She always belonged to someone else”. Apenas se torna necessário saber quem é “he” e “someone else”. Parece um enigma tão bicudo, tão geométrico, mas simplesmente se destina a triângulos amorosos, daqueles que se desenham nas aulas de matemática quando nas nossas cabeças perpassa nada mais que uma circunferência com um abismo no fundo. Como um grão de areia que só existe num único deserto, como a estupidez que assombra os mais inteligentes, como os olhos que querem ver mas não conseguem. Comparados já agora a um corpo que persegue outro sem pernas para andar, sem as mãos equipadas com as luvas devidas para tocar em material frágil, comparados a todas as comparações que não têm álibi.
Um círculo vicioso. De tonturas. Com direito a medicamento adequado: uma infusão de ervas daninhas chamuscadas pelo Inferno. Tratamento professado por médicos sem bata e por velhinhas que vão à Igreja rezar sem o terço.
Compreensível: perfurar todo o coração de alguém é uma utopia fantástica, com direito a balões de pastilha elástica que duram 2 horas. Só não dizem uma vida inteira porque o manicómio existe. Só não dizem “matem-se” se não quiserem. É como fugir daquele ladrão que nos prende e que nos amarra porque não temos a coragem suficiente de agarrar num pingo de coragem de sermos quem éramos: vadios errantes, sem rua, com pau na mão como num “Maio de 68” que ainda está por acontecer. Como fugir portanto de qualquer coisa que no título tenha coisas como “love” porque sabemos que podemos quebrar aquela fotografia de família perfeita, se considerarmos como família o cérebro. O coração, esse anónimo, é impulsionado a pensar na reforma.
Outro ponto a prestar atenção: ”you’d be surprised!/How we raised! Our lies….erased!/(…)/ Don’t look surprised…erased!/Our lies…erased!/(…)/Right before my eyes…erased!”. Para isto saber a qualquer prato linguístico comestível, basta personificar o “our” e quem quer que se seja o narrador, quem se pretende que nos conte aquela traição com pena de indiferença e ódio suspenso pela Eternidade.
Os meus olhos abriram-se: o meu lugar não é aqui.

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