Viagens
"Let's have a ball and a biscuit, suga/And take our sweet little time about it."
O tempo parece indeciso. Não sabe se quer saborear um deserto ou uma floresta.
Eu ficava pelo deserto...
Ainda vou pensar se deito fora este corpo malfadado e armo o balde com água e a pá mais pesada que houver e vou dar um passeio ao deserto. Junta-se a água do balde à vontade de me perder e o deserto começa a secar. Começa a secar porque sente que não estou bem, mas o meu mal-estar poderia dar para a evaporação do próximo dia de 60ºC e não vai dar.
Se uma imagem vale mais que mil palavras, eu viro-me para o Matrix, esse mundo virtual venerado que eu acredito que esconde os verdadeiros seres humanos pelo menos numa arrecadação ou então, numa empresa de programação. A realidade não concorda comigo, por isso, há que dar de beber ao metal e à distorção deste mundo. Onde tudo parece bem, onde o mar parece não mais acabar, onde os arco-íris não escondem tesouros.
Assim, as minhas pegadas plantam-se pelo Matrix, que é quente e vibrante no alcatrão, e cheio de espinhos. Parece um ponto de interligação entre o mundo real e este Matrix. Afinal descubro que esse ponto personifica-se num ruído de 5 minutos chamado "Ball and Biscuit". Onde se vê a destreza de uns dedos agarrados a uma guitarra eléctrica que não funciona a electricidade mas sim a testosterona inaudita inspirada numa voz tremelicante, onde se vê que uma bateria carrega suspiros de saudade de um casamento sonoro a rodar para o caminho certo. São Meg e Jack White, mergulhados num pesadelo onde a cada pessoa que vêem, fazem um abanão de alta voltagem e acordam-nos apenas para nos dizer que está tudo bem. Que não sabemos o que é esta loucura, mas é qualquer coisa de deslumbrante.
De repente, voltei à realidade. Eu não quero....eu vou voltar para o deserto!

2 Comments:
Bem que dizer? Este texto ta maravilhoso, como todos os outros mas este ta lindo mesmo.. tu deixas-me sem palavras, gosto muito de ti como pessoa, e hoje percebo porque um dia tu dixeste-me nesse momento a musica e a unica coisa que me pode ajudar, e so percebi isso quando um dia li o que escreves. Acho que ja disse o que tinha para dizer.
Bjs gnds**
Bem André, o único comentário que posso fazer é, de facto, subscrever as palavras da "carmen"... O texto está fabuloso... Só gostava de ter metade da tua habilidade a escrever, e eu ateésou bom aluno. Bem, tem umas boas férias... Falar-nos-emos pelo Messenger.
Um abraço, Luís.
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