Subsolo
A esta hora , o subsolo deve estar fresco ou então transformado no Purgatório. Mais ou menos como eu me encontro...
Mas passemos a coisas sérias. Em Portugal ainda vivemos um pouco longe de tudo. Calculo que se fosse para Londres neste momento com cerca de 40% de portugueses e a rádio começasse a difundir...Bem provavelmente, ouviria a BBC Radio, não é isso!....Provavelmente já seria como a Antena 3 actual: uma rádio jovem, pouco interessada em modas, sempre atenta aos grandes eventos musicais e cinematográficos. Franz Ferdinand, Bloc Party, Queens of The Stone Age, The Bravery, Kaiser Chiefs, The Libertines, Radiohead, Maximo Park, White Stripes...muitos perguntariam o que é isto. Pronto, esqueçam isto. Mudemos de assunto.
Vamos mergulhar 1000 metros. É aquilo que sinto quando ouço "Helicopter" dos Bloc Party. Uma amálgama de sons que, difusamente, apenas pretendem chegar a um baú do tesouro que nem sempre tem ouro ou prata. Às vezes não passa de pedra.
Mas eles não param.
Em viagens paralelas a esta realidade que não percebo, entrei no mundo dos sons. Fui àquela espécie de coro mirabolante que se vive entre alusões a James Dean e afirmações como "some things will never be different". Aqui paro.
Agora percebo a razão de tudo o que pensei. Pegando numa premissa implacável de uns 11 anos atrás: a música não existe sem a nossa consciência, sem o nosso estado de espírito. É o seu espelho. Eu acrescento: a música precisa de lugares. Lugares imaginários ou reais dentro de uma realidade sem fim que deixam determinados sons com outra textura. "Fearless" dos Bravery não seria mais que uma canção excitante se não precisasse dela para tentar perceber que espíritos passam pela cabeça de uma Monalisa transcendente (esqueçam que a Monalisa era uma rapariga bonita e metam esta mulher no Céu) para começar a insultar um apreciador eterno daquela rapariga que em bem comprando um bilhete de ida para o museu onde ela está, vai raptá-la pelo preço de poder tocar-lhe para sempre. É essa a história daquela música. Não está lá escrita, mas fui eu quem a escreveu. Não a quero apagar; ninguém lhe irá tocar. "Everyday I Love You Less and Less" dos Kaiser Chiefs poderia significar o fim para tudo, mas nada mais significa que uma vida relaxada onde existem sempre expressões politcamente correctas porque arrancadas à força como "and my parents love me" (mais ou menos do tipo: ignorem que eu mereço 4 horas de histórias de infância e 5 horas de conversas mais desinteressantes que a morte de uma cobra igual a 200000 na mata do vizinho). "Everybody Knows That You're Insane" dos QOTSA talvez se traduza à letra. Loucura, insanidade, interrogações que ninguém percebe, desequílibrios do trapézio emocional que as pessoas do circo não estão preparadas para sequer resolver com um telefonema ao INEM ou uma lágrima do funeral. "Neighbourhood "2 (laika)" dos Arcade Fire também se pode traduzir traço por traço, parágrafo por estrofe, linha por verso, mas já significa uma profundidade sonora digna de fato de mergulho e uma festa estridente à superfície cujo tema é uma casa em ruínas. Que já ninguém vai tocar.
Como em ti: nunca te vão tocar como esperas que eu te toque...
Vai ser assim para sempre...

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