Sunday, March 06, 2005

Abaixo as tabletas, acima os mal-entendidos...Atentamente: Confusão....

Ao som de: Bloc Party – Banquet (Remix)

Por vezes é bom não termos nada para escrever. É óptimo. Começamos a pensar em coisas que nunca pensámos antes.
Já pensei em coisas para as quais nunca encontrei resposta. De onde venho? O que faço aqui? Porque sou assim?

(Mudando para Shannon Wright – With Dosed Eyes – sempre pensando que atirar-se do 15º andar não é um pensamento que me ocorre muitas vezes..o que não é verdade…mas este disco (Over The Sun) transmite tanta melancolia…)

Agora que voltei a fechar os olhos, encolhendo-me no “Apito Dourado” que é preciso haver para haver amor (pois realmente sem fecharmos os olhos às ofensivas cupidianas nunca iremos amar ninguém….), começo realmente a pensar no que seria a vida sem confusão. As coisas que se dizem e que amanhã já não são verdade, os boatos, as chatices que depois viram em grandes e longos amores (salvo seja…).
Sem confusão, a vida não teria sentido. Sem confusão, eu andaria perdido numa previsibilidade imprevisível de situações às quais não saber responder: era o mesmo que testar a capacidade inteligente de uma amplificador fazer feedbacks com microfones nas suas costas (como diria Gonçalo Frota…), esperando que um dia o microfone acalmasse…

(Rendendo-se aos Soviettes – Number One Is Number Two…)

Como vêem, eu próprio estou confusamente possuído. As minhas palavras desinspiradas conseguem ser mais vazias que o vapor e embaciar um vidro numa tarde de Verão. Se não estivesse agora confuso, sem saber o que escrever, talvez nunca mais soubesse escrever, o que sem dúvida me remete para o espírito a idade das histórias de embalar, quando e onde há cães no escuro que me vão magoar e morder e dos quais tento escapar furiosamente, tão furiosamente sem os magoar, apenas dando retoques ao seus finíssimos bigodes…

Tudo isto serve para verificar que se a Vida é imprevisível, então a confusão é a imprevisibilidade; se a Vida é um cemitério, a confusão é uma lápide.
Não teria o mínimo sabor a vida se não estivesse confuso, mas lúcido na minha tentativa de mudar. Nem eu próprio acredito no que digo – a confusão fulmina-me.

Mas afinal o que é a confusão? É boa? É má?

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