Aprender
(linguagem para estalar os dedos de contentamento)
Há bandas que não se mostram logo. São tímidas. Ao ouvirmo-las nunca saberemos bem o que dali virá. É o caso dos Coldplay e dos Toranja. Ameaçam sempre chegar a reinventar aquilo que parece evidente.... X & Y, um título que pressupõe um parto como deve ser, qualquer perfeição machista presente num disco. Não será bem assim, mas senti um arrepio pela espinha semelhante ao que pressenti em Chris Martin, qual telepatia entre gémeos, depois da audição final de "Speed of Sound". "Talk", contudo, enjaula a anterior numa Arca de Noé e aí se vê que os Coldplay finalmente fazem as melhores canções que os Radiohead à conversa com Brian Eno ainda não escreveram.
Os Toranja parecem demorar um pouco mais. Em comum com os Coldplay têm apenas a edição de dois álbuns que davam as pistas para se perceber que a Rádio Comercial deixaria em breve de ser a rádio das grandes músicas de gente respeitada outrora. Por um concerto que vi recentemente, não vejo já grande espírito Jorge Palma, mas vejo uma criação adulta. No futuro, espero que a poesia das letras se agarre ao espírito das melodias para o largar lá para o final da banda, ou quando a reunião dos Doors for lei. Esperamos pelo terceiro álbum. Talvez os Coldplay sonhem com os Toranja, e transmitam para os Toranja não "Computer Love" mas um "I'd Rather Dance With You" ou um "Burning Photographs", pois Erlend Oye ainda não criou a descendência que mereça esse título. Vamos ver se Ryan Adams se dá ao trabalho de dar os minutos da sua compulsão criativa num cronómetro milimétrico e se o faz chegar aos Toranja.
O cansaço é muito e tememos arrelias, como "When Daddy comes home, you always start a fight/ So the neighbors can dance...".
Esperamos por reinvenções...

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