Porquê escrever sobre o que não existe?...
{...Qual o porquê deste desejo absurdo de sofrer?}
Há 1 ano sentia-me radical. Era necessário que os phones viessem comigo, era necessário que o mar e a música dormissem juntos. Era necessário sentar-me num infindável banco de madeira, bem no fundo de tudo, e esperar que a música ideal viesse para me acalmar. Então, procurava o vazio dos pensamentos e tentava descobrir a força das ondas do mar, uma combinação de uma paisagem nocturna e invisível que fosse uma desculpa para encontrar soluções.
Há 2 anos, não pensava em sofrer. Não pensava em crescer, não pensava em sair daquele caminho e saltar a vedação. Atrás dela esconder-se-iam problemas sem resposta, que apenas exigiam companhia de mais problemas.
Agora, só preciso de música. Já não preciso de estar sozinho e já conheço a sensação de pisar o sofrimento no que de lamacento ele possa possuir.
Mas gosto de sofrer. Só sofrendo posso perceber quem sou, quem fui, o que sou dentro de um Mundo onde tudo é dinheiro. Só descobrindo o Mundo posso voltar a estar sozinho, a precisar de um empréstimo da solidão, a perceber o quanto o Mundo é maravilhoso dentro deste quarto.
É aqui que sinto o prazer de devastar a dor, de perceber que ela não me afecta mais. Permito que os acordes sejam uma pequena lâmpada incandescente que aos poucos, vá abrindo as cortinas de um novo dia. Um novo dia em que cada peça se constrói pela sobreposição das antecessoras, em que os erros cometidos jamais serão infinitos.
Nada que a dor não tenha já experimentado. Podes vir a qualquer hora falar-me de construções de betão no meu coração. A única dor que sinto é de sentir que não sinto nada e que os sentimentos se escaparam por entre as fechaduras que se pensavam abertas à poesia de rebolar entre o bom e o mau. Talvez um dia mude, talvez pense em não chorar sem ser quase porque a música leva a lugares estranhos e perigosos, onde sentimos que estamos a ser assaltados pelas lágrimas. Mas porquê desesperar por histórias destas, em que um fantasma se junta a uma entidade qualquer planante e assina um tratado de desilusões sem cláusula de rescisão...
Mas...
Preciso de estar sozinho

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