O silêncio é uma língua que só usamos se tivermos o dicionário certo...
There's no uninteresting subjects. There's just uninterested people.[THIS BLOG IS MAINTAINED FOR TWO YEARS...]
Tuesday, July 26, 2005
Aprender
(linguagem para estalar os dedos de contentamento)
Há bandas que não se mostram logo. São tímidas. Ao ouvirmo-las nunca saberemos bem o que dali virá. É o caso dos Coldplay e dos Toranja. Ameaçam sempre chegar a reinventar aquilo que parece evidente.... X & Y, um título que pressupõe um parto como deve ser, qualquer perfeição machista presente num disco. Não será bem assim, mas senti um arrepio pela espinha semelhante ao que pressenti em Chris Martin, qual telepatia entre gémeos, depois da audição final de "Speed of Sound". "Talk", contudo, enjaula a anterior numa Arca de Noé e aí se vê que os Coldplay finalmente fazem as melhores canções que os Radiohead à conversa com Brian Eno ainda não escreveram. Os Toranja parecem demorar um pouco mais. Em comum com os Coldplay têm apenas a edição de dois álbuns que davam as pistas para se perceber que a Rádio Comercial deixaria em breve de ser a rádio das grandes músicas de gente respeitada outrora. Por um concerto que vi recentemente, não vejo já grande espírito Jorge Palma, mas vejo uma criação adulta. No futuro, espero que a poesia das letras se agarre ao espírito das melodias para o largar lá para o final da banda, ou quando a reunião dos Doors for lei. Esperamos pelo terceiro álbum. Talvez os Coldplay sonhem com os Toranja, e transmitam para os Toranja não "Computer Love" mas um "I'd Rather Dance With You" ou um "Burning Photographs", pois Erlend Oye ainda não criou a descendência que mereça esse título. Vamos ver se Ryan Adams se dá ao trabalho de dar os minutos da sua compulsão criativa num cronómetro milimétrico e se o faz chegar aos Toranja.
O cansaço é muito e tememos arrelias, como "When Daddy comes home, you always start a fight/ So the neighbors can dance...".
19 de Julho de 2005: faz um ano que vivemos longe do estrelato que nunca procurámos. É essa a pergunta que muitos fazem: porquê manter um blog bronzeando-se na sombra de outros e com um protector solar de factor 0?
Vamos procurar entre pedaços de sombra pequenas folhas de inspiração, planantes como uma vela de um veleiro, enquanto outros lutam para que minúsculas pingas de luz no que de mais assustador podem ter não vão parar ao corpo do vizinho do lado, ou mesmo, ao desgraçado do chapéu de sol que se falasse, teria que ser calado de seguida. Gostava de ir dar uma volta e ir ver a inspiração, de tirar dos garrafões dos supermercados água pura que me refresque, de sentir aquela brisa aos saltos alegre, decorada com pétalas de rosa.
Será que para o ano estaremos também cá com mais um ano de tristes figuras/figuras tristes?
Não sou capaz de sair de mim. Por isso, sinto-me dormente, esperando que as férias acordem na minha direcção ou soprem em direcção a um sítio relativamente pacífico. É a altura de desejar a ponte entre o passado e o futuro, em que o presente se exige feito de momentos inesquecíveis. Com a eternidade descontrolada pelo salto de uma pulga. Há dias que vou sentindo isso. Faz uns bons CD's que "So Here We Are" deu-me a mão. Talvez não falemos de profundidade, mas falemos numa espécie de harmonia submarina. Bloc Party.
Retórica mais ou menos arejada no que de vazia mais possa ter, ajuda a dizer que sinto-me perseguido. Perseguido por uma perseguição que me obriga a perseguir. A abraçar com cuidado sentimentos rasgados pelos raios do nervosismo e a escrever novas intrigas, mais ou menos como quem ouve uma música de mês em mês ou comparando as diferenças entre o que significa uma canção para uns e outros. Pensar não importa. São teias bem enroladas que me deixam a resolver as soluções para fazer delas linhas de caminhos-de-ferro.
Será que a felicidade implica sofrimento? Será...será que estou no caminho certo? A felicidade estará na solidão de um sem-abrigo ou na indecisão entre o Bem e o Mal? Só tens Mal ou escondes-te arduamente atrás dessa casota de madeira? Porque te odeiam calados? Porque precisas de abalar a única coisa que eu fiz de bem em toda a minha vida? Porque me obrigas a mudar de caminho? Porque é que me sinto desconfortável na minha almofada de seda sempre que te imagino ou te vejo na realidade feita de ideias intocáveis? Porque me queres arruinar? Porque queres ser impossível? Porque me fazes sentir nesta horrível balança em que tenho que pesar tudo rigorosamente? Porque me ignoras? Porque não me explicas esta matemática exagerada? Porque é que 1 + 1 = infelicidade? Porque ainda te ligo? Porque não consigo ser como era? Porque vou acabar sozinho? Mas porquê?
Don't get mad if I'm laughing Blame the caffeine for all the 5 am. phone calls I haven't slept a single night in over a month And not even once did you start to make sense to me
Well maybe I'm a little bit slow Or just consistently inconsistent She said "Unpredictability's my responsability, baby"
But you're waiting at the door Where everybody's hanging out just like they hung out before You didn't have to it but you did it to say That you didn't have to do it but you would anyway
To give you something to go on When I go off Back to the middle of nowhere To give you something to go on When I go off Back to the middle of nowhere
They chewed me up and then they spit me out And I'm not supposed to let it bother me But maybe I'm a little bit weak I let my frailty take the wheel She said "Maybe there's a bit of me waiting for a bit of you, baby"
But you're waiting at the door Where everybody's hanging out just like they hung out before You didn't have to it but you did it to say That you didn't have to do it but you would anyway
To give you something to go on When I go off Back to the middle of nowhere To give you something to go on When I go off Back to the middle of nowhere
But you're waiting at the door Where everybody's hanging out just like they hung out before You didn't have to it but you did it to say That you didn't have to do it but you would anyway
To give you something to go on When I go off Back to the middle of nowhere To give you something to go on When I go off Back to the middle of nowhere
But you're waiting at the door Where everybody's hanging out just like they hung out before You didn't have to it but you did it to say That you didn't have to do it but you would anyway
To give you something to go on When I go off Back to the middle of nowhere To give you something to go on When I go off Back to the middle of nowhere
But you're waiting at the door Where everybody's hanging out just like they hung out before You didn't have to it but you did it to say That you didn't have to do it but you would anyway
To give you something to go on When I go off Back to the middle of nowhere To give you something to go on When I go off Back to the middle of nowhere
São alarmes silenciosos. São gritos alarmantes, são pesadelos a flutuar em turbulências mentais, transfusões de inadaptações de pessoa em pessoa. Não sei como será o futuro. Agora. Mas sei que agora sou feliz. Um dia de cada vez sou mais feliz que no interior e torno-me mais consciente da imprevisibilidade das mutações da felicidade. As folhas do calendário a suspirar pelo dia em que um pedaço de vento as virará e não eu, todos suspiram mas eu não sei porquê. Era interessante uma experiência calma com a Morte. Ela faz parte do que respiramos, das ideias que sentimos, das dores que precisam de pensos rápidos ou apenas e só, de um suícidio. É um vazio de certezas onde todos vão entrar, um preenchido de palpites porque os que vão já não voltam. Consigo certamente imaginar a Morte: braços feitos cordas, pés feitos turbinas, cérebro feito precipício, cara de um velho conhecido. Se não alarmasse tanto como comparar homens a robots, morrer seria um tesouro escondido nas profundezas de um oceano onde nadam lágrimas. Mais que tudo, lágrimas. A dor não existe, as arrelias são estantes de toques no vazio e de medalhas de utopias, e escrever este texto é caso para prisão noutra dimensão até à explosão do Universo. Tal como a vida: todos sabem o que ela devia ser, mas o passado devora com a sincronia de um relógio.
Por isso, a felicidade também existe, mas apenas depende daquilo que nos faz realmente felizes, não de colares preciosos ou roupas de marcas vendidas a preço de leilão num Mundo onde até o dinheiro nunca terá existido. O que é o dinheiro? Não sei se qualquer coisa destas faz-vos felizes: nesse caso, mudem o texto para o começo de uma escalada pedonal pelos degraus daquela coisa que parece mas não é, daquilo que encobre durante toda a vida as tentativas de suicídio que mais depressa se cometem noutras alturas quando a loucura do bem-estar dá lugar a uma espécie de atropelamento numa floresta de emoções dispersas e nunca condensadas. A felicidade é, simplesmente, uma mistura da Faculdade de Teologia com ideias ateias, uma coisa simples de pensar, mas difícil de realizar, que demora tempo a passar ao papel mas pode desaparecer como pó.
A minha felicidade apenas depende de mim. Mentira com direito a cruz por cima. Enfim, depende talvez de frágeis ondas que poucos sabem manipular com doçura e precisão e transformá-las em situações escondidas debaixo de um cobertor do Sol, trancadas dentro de instrumentos opacos e harpejos melódicos bebíveis.
Interrogação com direito a ponto de interrogação bem forte. Talvez dependa de qualquer coisa como os sentimentos.
It’s so cold in this house Open mouth swallowing us The children staying home from school Will not stop crying
And I know that you’re busy too I know that you care You got your finger on the pulse You got your eyes everywhere And it hurts all the time When you don’t return my calls And you haven’t got the time to remember how it was
It’s so cold in this house It’s so cold in this house
I can’t eat, I can’t sleep I can’t sleep, I can’t dream An aversion of light Got a fear of the ocean
Like drinking poison, like eating glass
It’s so cold in this house Come and show me how it was
We’ve got crosses on our eyes Been walking into the walls again We’ve got crosses on our eyes Been walking into the furniture We’ve got crosses on our eyes For richer, for poorer, for better, for worse We’ve got crosses on our eyes We’ve been walking into the furniture
Não sei se continuaremos no mesmo caminho, mas “some things will never be different” parece um bom lema. Helicópteros assombram-me o espírito como fantasmas encapuçados apenas com ar intimidatório, pois a arma para eu matar-me existe. Debaixo de um embrulho esquisito podem-se esconder verdades absolutas. Reparem: “Beauty queen or only pretty/She has some trouble with herself/He was always there to help her/She always belonged to someone else”. Apenas se torna necessário saber quem é “he” e “someone else”. Parece um enigma tão bicudo, tão geométrico, mas simplesmente se destina a triângulos amorosos, daqueles que se desenham nas aulas de matemática quando nas nossas cabeças perpassa nada mais que uma circunferência com um abismo no fundo. Como um grão de areia que só existe num único deserto, como a estupidez que assombra os mais inteligentes, como os olhos que querem ver mas não conseguem. Comparados já agora a um corpo que persegue outro sem pernas para andar, sem as mãos equipadas com as luvas devidas para tocar em material frágil, comparados a todas as comparações que não têm álibi. Um círculo vicioso. De tonturas. Com direito a medicamento adequado: uma infusão de ervas daninhas chamuscadas pelo Inferno. Tratamento professado por médicos sem bata e por velhinhas que vão à Igreja rezar sem o terço.
Compreensível: perfurar todo o coração de alguém é uma utopia fantástica, com direito a balões de pastilha elástica que duram 2 horas. Só não dizem uma vida inteira porque o manicómio existe. Só não dizem “matem-se” se não quiserem. É como fugir daquele ladrão que nos prende e que nos amarra porque não temos a coragem suficiente de agarrar num pingo de coragem de sermos quem éramos: vadios errantes, sem rua, com pau na mão como num “Maio de 68” que ainda está por acontecer. Como fugir portanto de qualquer coisa que no título tenha coisas como “love” porque sabemos que podemos quebrar aquela fotografia de família perfeita, se considerarmos como família o cérebro. O coração, esse anónimo, é impulsionado a pensar na reforma.
Outro ponto a prestar atenção: ”you’d be surprised!/How we raised! Our lies….erased!/(…)/ Don’t look surprised…erased!/Our lies…erased!/(…)/Right before my eyes…erased!”. Para isto saber a qualquer prato linguístico comestível, basta personificar o “our” e quem quer que se seja o narrador, quem se pretende que nos conte aquela traição com pena de indiferença e ódio suspenso pela Eternidade.