Friday, September 23, 2005

"My Little Bedroom" saúda dois regressos!






















Na realidade não é assim. Os Goldfrapp não são os Coldplay e vice-versa nem sequer ambicionam sê-lo.
Mas Chris Martin está sem dúvida na synth-pop e electropop desde que decidiu escrever "Talk" a partir da melodia de "Computer Love" dos Kraftwerk (com a devida autorização) e tirar da sua imaginação "Speed of Sound" e parece ser bem teimoso.
Por isso, informa-se os interessados que terão direito a Goldfrapp+Coldplay daqui a um mês no Pavilhão Atlântico. Tal como os Keane fizeram com Rufus Wainwright, será um concerto para gregos e troianos, embora os Coldplay não sejam os Keane de muitos e vice-versa (embora os Keane sejam uma aproximação ao universo Coldplay... e em que eu não vejo muito mais que bons singles e outros temas menos conseguidos).
São dois regressos discográficos e dois regressos ao nosso país neste ano de 2005.
Recorde-se que os Goldfrapp vieram há 2 anos a Lisboa e Porto apresentar "Black Cherry", o antecessor do mais recente "Supernature" que data deste ano e também o sucessor de "Felt Mountain", de 2000. Por seu turno, os Coldplay já passaram por cá por exemplo em Paredes de Coura no ano de 2000 num concerto menos conseguido, por alturas frescas de "Parachutes" e em 2003, para apresentar "A Rush of Blood To The Head"., em que trouxeram os Feeder para a primeira parte (uma banda também bem aconselhável).
Agora, e como já se disse, os Goldfrapp trazem "Supernature" na bagagem e os Coldplay "X&Y". Para os primeiros, um novo registo menos dark, mais dançável, talvez demasiado no sítio em relação a "Black Cherry" mas mesmo assim irresistível, e para os últimos, uma viragem pronunciada na linhagem de mercado que se previa seguir após o interregno de 2 anos entre "A Rush of..." e "X&Y" (em que Chris Martin recebeu uma linda "maçã" como presente). Desta vez, os Coldplay foram aos "malditos" anos 80 e a gente como Brian Eno, Depeche Mode, Joy Division ou mesmo os próprios Kraftwerk para se renovarem, renascerem e refugiar-se do mainstream que unicamente os acolhia de braços abertos (embora a imprensa americana continue a ser bem dura como estes tipos).

Os Coldplay formaram-se em 1996 em Londres e são compostos por Chris Martin, Johnny Buckland, Guy Berryman e Will Champion. Após a edição de três EP's ("Safety" em 1998 e "Brothers & Sisters e "The Blue Room" em 1999), os Coldplay assinaram por uma multinacional, a EMI, e editaram "Parachutes", para em 2003 editarem pela Parlophone "A Rush of Blood To The Head".
Já os Goldfrapp nasceram em outros moldes. Alison Goldfrapp teve em 1995 uma participação em "Maxinquaye " de Tricky e, pelo meio, uma participação em "Snivilisation" de Orbital. Foi o balanço para Alison deixar de estudar arte em Middlesex University e passar a mostrar as suas composições ao Mundo musical. Foi Will Gregory que pegou em algumas das suas composições e que a contactou. A química entre eles foi tão forte que decidiram juntar teclados e vocalizações numa dupla de sucesso com o nome correspondente ao apelido de Alison. Em 1999 surgiu o contrato discográfico pela Mute Records e em 2000 o debute "Felt Mountain", que os lançou numa grande tour que mostrou um álbum sem paralelo no universo retro-electro-pop que nem os próprios Goldfrapp se propuseram a repetir (e ainda bem). Em 2003 surge o tão esperado longa-duração/confirmação "Black Cherry", que mergulhou a banda num universo de magia, claustrofobias a desenhar o escuro e de jogos de sensualidade bem íntimos com quem teve o prazer de os ouvir e ver.
Ainda hoje ouço "Train" ou "Strict Machine" ou mesmo o tema-título e só encontro nos Black Box Recorder de Luke Haines algo analógico, em "Passionoia" do mesmo ano. São os dois projectos o cruzamento ideal entre os Massive Attack, os Portishead e os Aphex Twin, New Order ou Joy Division ou mesmo O.M.D, mas mais atmosféricos.

Prevejo uma grande noite de música em Lisboa em Outubro, pois os Coldplay até podem trazer uma versão acústica de Johnny Cash (o famoso e muito revisitado "Ring of Fire") e estão muito bem por esse mundo fora e os Goldfrapp terão sensualidade para vender e bons teclados para se colarem ao ouvido sem hipótese de serem descartados logo a seguir - no fundo, a premonição ambiental-electrónica que os novos Coldplay pedem naturalmente e que será dada por uma das melhores duplas da actualidade do panorama indie-pop-electro.

P.S: Começam os suspiros pelos Magic Numbers em Novembro e Mercury Rev (ai meu deus que concertos...e ai meu deus o que seria Portugal sem Espanha...e ai meu deus! Porque não trazem também os Bloc Party e os Interpol para eu me perder...e ai meu deus que os Killers e os Pearl Jam e White Stripes ou Strokes também poderiam vir!)...

3 Comments:

Anonymous Anonymous clamou desta maneira...

eu gostei muito do disco do Goldfrapp!! Fiquei bem surpreso com a inovação deles no estilo. Espera uma coisa mais como os discos anteriores e me deparei com um single delicioso!! Bem dançante hehehe

6:48 AM  
Blogger Unknown clamou desta maneira...

Hello :) Excelente post este! Aproveito para confirmar que Mercury Rev é no dia 22/11 no CCB :D!

Estive tb a ver as tuas playlists :) Quando refizer a do paixaum (está no Radio.Blog) tenho que te convidar tb.

Abraço

3:39 PM  
Blogger playlist clamou desta maneira...

gosto bastanta do álbum dos Golfrapp!

10:27 AM  

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