
A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada, caiu
E eu fiz-me em mais pedaços que a loiça que havia no vaso
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada, caiu
E eu fiz-me em mais pedaços que a loiça que havia no vaso
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia
E os deuses que há debruçam-se da escada.
Para verem o que a criada fez de mim
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
(...)
Alastra a escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
E os deuses olham-na por não saber por que ficou ali.
Um caco brilha entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
E os deuses olham-na por não saber por que ficou ali.
Bem, agora é hora de música internacional.
Detroit Cobras:"Hot Dog".
Depois Every Move a Picture: "Signs of Life".
São coisinhas perfeitas...
Take care...


2 Comments:
Li este texto, só li este, porque se lesse todos, acho que não saíria daqui, porque são muitas beldades escritas que tinha de ler devagarinho para nenhuma se machocar. Mas tenho de lhe dar os parabéns, porque você escreve de uma maneira, que eu sinceramente nunca iria alcançar (não somos feitos para tudo). Uma coisa que você não me pode perguntar é como é que eu vim aqui parar, porque eu sinceramente também não saberia responder, secalhar até saberia, mas não quero revelar, mas digo-lhe que foi uma pessoa que gosta muito de si, que falou muito bem do seu blog e do que escrevia. Mas bem, acho que isso agora não interesa. Ora vou ficar por aqui, porque acho que estou a falar assim de mais, porque isto deveria ser um espaço para desabafar um pouco dos seus textos que por mim estao lindos mesmo, ao menos este que eu li, adorei. Devo passar mais um dia por aqui. Não me cansei.
É um bom disco, e é excelente a forma como Margarida vestiu musicalmente esse poema de Álvaro de Campos.
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