Wednesday, March 30, 2005

Um chão cheio de berlindes...

Recomeçou, recomeçou, recomeçou...

A confusão......


Não sei que escrever. Mas sei que me apetece escrever qualquer coisa. Há tanta coisa que me deixa a pensar....
Música! É isso. Preciso é de um saco de boxe....

Brendan Benson, The Alternative To Love - 2005

What's on your mind?...
Spit it out now!..

It looks like the time
Just burn it out now!..

So spit it out now!

Há discos que nos deixam a pensar. Ainda por cima neste caso, em que se tem a certeza que associado a este vem - diz quem já ouviu - um novo "Nevermind" , mas quando ainda não se tem a certeza do mais importante: para quando Meg e Jack White decidem misturar pólvora com fogo de artifício criativo e decidem (espero que a sério) meter o elefante atrás da formiga...ou, de forma muito mais provável, meter o elefante fase II atrás dos espíritos mainstream, como um demónio indie que atormenta um manager preocupado com as vendas. É que os White Stripes não são gente qualquer. Não são de altos e baixos, mas talvez "Elephant" tenha dado o soco final naqueles que julgam que música alternativa é música que não vende e que não tem qualidade.
Mas não é propriamente de White Stripes que penso falar. Até porque penso conhecê-los ao vivo em Paredes de Coura, e reencontrar gente como Frank Black & Companhixies e Josh Homme não para as miúdas - senão trazia Jesse Hughes, seu companheiro nos Eagles of Death Metal, que preparam disco novo quando os QOTSA já dão beijinhos a Nick Oliveri e têm "Lullabies to Paralyse" há 9 dias nas prateleiras... - , mas para toda a gente que quiser.
Há que falar de Brendan Benson. Se com Jack White pensa-se que Kurt Cobain vai sair da cova, Mr.Benson, a solo, avisa os White Stripes - e porque não Beck, que editou há 2 dias "Guero", um dos álbuns de 2005 - que é dono de um jardim zoológico em estado de choque: o elefante comeu fogo de artifício e arrotou a pólvora e entrou num estado de profunda hibernação que o impediu de acompanhar o seu benemérito antecessor em 2003. "Spit It Out" e "Cold Hands Warm Heart" são o exemplo perfeito de arranjos indie com luvas de boxe tentando não chegar à perfeição e melodias com ataques de tuberculose.

No dia e hora em que há gente para mim desconhecida que sente-se um bebé, a compra do dia é sem dúvida um saco de boxe...

Mas também não é isto bem que me está a apetecer escrever...

Ping-pong, sabem o que é? De onde veio?
Digo já: foi inventado por antepassados meus. Só antepassados meus poderiam prever situações saltitantes, leves, e sinteticamente naturais como uma bola de ping-pong empurrada por pensamentos num Pégaso branco galopante e que se farta de fazer barulho mas que depois acabam por descambar numa fénix - com tudo o que tenha de bom e de mau: as paixões. Dentro destas há dois tipos: aquelas que dão para ganchos quase paus e outras que dão para paus quase ganchos. Este último conheço eu bem: estou metido nele como cola. A cola começa a cair como água, os trovões começam a fazer eco e o precipício é eminente (não é só nas paixões mas pronto...).
Tenho vergonha de viver.
Tenho vergonha de não ser um fantasma
Tenho pena de ver chover
Tenho ânsia de estar num canto
Tenho pressa de fechar a janela
Tenho necessidade de não ser surpreendido
Tenho horror a festejar a minha permanência neste mundo
Tenho medo de viver acompanhado
Tenho inquietações por não saber quem sou
Tenho pesadelos se sonho
Tenho sonhos se a vida me ameaça
Tenho sono quando fico melhor de uma constipação
Não durmo se não sou eu
Morro se não morrer...

Escrever sem inspiração será bom?

Bem, talvez não. Mas não podem dizer que não tentei. E se também tentassem? Às vezes acabam por sair obras de arte das quais apenas quereremos aproveitar a mais perfeita para enfeitar uma valeta...
Vamos viver!
Vamos ser nós
Vamos esquecer os outros
Vamos viver as coisas boas
Vamos festejar as coisas más
Vamos dar um Óscar à estupidez
Vamos dar uma estatueta à inércia
Vamos ficar parados no tempo intemporal
Vamos acabar com tudo! Viva o fim!

Sunday, March 06, 2005

Abaixo as tabletas, acima os mal-entendidos...Atentamente: Confusão....

Ao som de: Bloc Party – Banquet (Remix)

Por vezes é bom não termos nada para escrever. É óptimo. Começamos a pensar em coisas que nunca pensámos antes.
Já pensei em coisas para as quais nunca encontrei resposta. De onde venho? O que faço aqui? Porque sou assim?

(Mudando para Shannon Wright – With Dosed Eyes – sempre pensando que atirar-se do 15º andar não é um pensamento que me ocorre muitas vezes..o que não é verdade…mas este disco (Over The Sun) transmite tanta melancolia…)

Agora que voltei a fechar os olhos, encolhendo-me no “Apito Dourado” que é preciso haver para haver amor (pois realmente sem fecharmos os olhos às ofensivas cupidianas nunca iremos amar ninguém….), começo realmente a pensar no que seria a vida sem confusão. As coisas que se dizem e que amanhã já não são verdade, os boatos, as chatices que depois viram em grandes e longos amores (salvo seja…).
Sem confusão, a vida não teria sentido. Sem confusão, eu andaria perdido numa previsibilidade imprevisível de situações às quais não saber responder: era o mesmo que testar a capacidade inteligente de uma amplificador fazer feedbacks com microfones nas suas costas (como diria Gonçalo Frota…), esperando que um dia o microfone acalmasse…

(Rendendo-se aos Soviettes – Number One Is Number Two…)

Como vêem, eu próprio estou confusamente possuído. As minhas palavras desinspiradas conseguem ser mais vazias que o vapor e embaciar um vidro numa tarde de Verão. Se não estivesse agora confuso, sem saber o que escrever, talvez nunca mais soubesse escrever, o que sem dúvida me remete para o espírito a idade das histórias de embalar, quando e onde há cães no escuro que me vão magoar e morder e dos quais tento escapar furiosamente, tão furiosamente sem os magoar, apenas dando retoques ao seus finíssimos bigodes…

Tudo isto serve para verificar que se a Vida é imprevisível, então a confusão é a imprevisibilidade; se a Vida é um cemitério, a confusão é uma lápide.
Não teria o mínimo sabor a vida se não estivesse confuso, mas lúcido na minha tentativa de mudar. Nem eu próprio acredito no que digo – a confusão fulmina-me.

Mas afinal o que é a confusão? É boa? É má?