Friday, February 17, 2006

Relato de um dia de São Valentim interessante:
Seria um dia quase como outros que passaram e deixaram bibliotecas de tempo a implorar que explodissem. Seria um dia banal, não fosse um dia de descompressão, sem aulas, ainda por cima com visita de estudo pelo meio. Ao amor platónico que sinto por mim (risos…), dei de presente dois discos cujos singles ou temas, para mim, mais fortes já ouvira, respectivamente, no Verão de 2005 e em Setembro do mesmo ano. Foram “Bang Bang Rock ‘n Roll” dos Art Brut e “Whatever People Say, That’s What I’m Not”. Cruzando temas dos dois álbuns para facilitar a crítica, é de referir que apreciei mais “Formed a Band” e “When The Sun Goes Down” do que as suas versões anteriores. Pelo contrário, não digeri tão bem alguns temas mais fortes desses discos: “Fake Tales of San Francisco”, “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, “ My Little Brother”, “Bad Weekend”, entre outros. Pareceram-me demasiado superficiais em relação às versões que ouvira anteriormente. Nos Art Brut, os baixos estavam dementes com calmantes e pouco aguçados, e nos Arctic Monkeys, os rasgos vocais pareceram-me exagerados para temas que reflectem uma característica que liga estes dois álbuns: a escrita despreocupada de canções cujo objectivo é criar melodias nunca antes imaginadas com um fundo “music for the (indie) masses”. Talvez assim se admita talvez a dificuldade em aceitar o disco Art Brut e futuros discos dos Monkeys. Mas não mudo em nada: como discos em si, parecem-me discos marcantes numa altura em que a saturação ameaça a moda revivalista que lhe deu vida.

Aparte: ainda quererei bem explicar por que razão discos relegados para segundo plano em relação a outros, por não se imiscuírem na onda ou por já não serem registos longa-duração de estreia, não foram esquecidos nas listas de final de ano. Falo de “The Back Room” dos Editors ou de “Howl” dos Black Rebel Motorcycle Club, ou mesmo de “The Witching Hour” dos Ladytron, que contra “Employment” dos Kaiser Chiefs e afins não tiveram idêntica publicidade. Avançam-se explicações: discos neo-new-wave, com excepções mais do que sabidas por quem aprecia a vaga de Sua Majestade, parecem ser desequilibrados, fundamentando-se numa base de singles que nem sempre fazem um álbum por si. Em outras listas e em parte nesta, isso aconteceu, apesar de confessar que os meus gostos musicais não incluem por enquanto um antídoto para a “Super Cola 3” deste tipo de rodelas. Não consigo ignorar 90% destes discos revivalistas.

E isso vai acontecer com os Every Move A Picture, os Boy Kill Boy, Upper Room, Hourly Radio, Protocol e com outros registos de estreia com edição marcada para 2006.
Próxima digestão prolongada com 99% de certezas de absorção: White Rose Movement – Kick, um disco pelo qual me passaram boas ideias mas que ainda não tem um juízo totalmente formulado.


Outras audições:
YEAH YEAH YEAHS: gold lion
THE FALLOUT TRUST: washout
THE RACONTEURS: steady as she goes (com duas grandes personagens da música actual...sim, é aquele disco que se fala que pode ser o novo "Nevermind")
THE DEAF STEREO: let the lovers call

Saturday, February 11, 2006


Já há muito tempo que não vinha aqui e hoje, apetece-me estragar o branco que vejo em mim e neste posting space. Esse branco que parece ter uma cadência lenta de preenchimento e que vai destruindo as cores, as palavras que gostamos. Por isso, e também por "The Life Pursuit" não ser um disco em branco, vinha dizer que gosto desta rapaziada. Há quem os compare aos Magnetic Fields, mas, como ouvinte, senti-me como um cozinheiro que não cozinhou. O olfacto não engana, por isso: isto é Belle and Sebastian com recheio The Shins!

E o sabor...humm...sabe a "Suicide Will Make You Happy" e muito mais...